As principais lesões no surf

October 30, 2015

 

O surf apresenta-se como um desporto relativamente seguro quando comparado com desportos mais tradicionais, apresentando uma incidência de lesões na ordem dos 5.7/1000 episódios de surf (1). Este número, relativamente reduzido, está relacionado com o meio onde decorre o desporto, pois a água permite absorver a maioria dos impactos (2).

 Assim, podemos ter dois tipos de lesões no surf, lesões agudas e lesões crónicas. Podemos caracterizar lesões agudas como resultado de eventos traumáticos recentes (traumatismos, luxações, torções ou fraturas) e lesões crónicas como movimento repetidos excessivamente (tendinites, bursite ou artrite).

De entre as lesões agudas encontradas no surf (1), podemos caracterizá-las da seguinte forma:

  • Lacerações, 42%

  • Contusões, 13%

  • Entorses, 12%

  • Fraturas, 8%

Em Portugal, e de acordo com um estudo (2), as lesões agudas ocorrem, na sua maioria (57%), após colisão com a própria prancha ou através do contacto com os fins (30%) e ao entrar/sair da água (20%).

Por outro lado, caracterizamos a incidência de lesões crónicas no surf através de zonas do corpo mais afetadas (4):

  • Ombro, 18%

  • Zona lombar, 16%

  • Pescoço, 9%

  • Joelho, 9%

Ao analisarmos estes resultados, constatamos que a grande maioria das lesões crónicas do surf está relacionado com a atividade de remada. Segundo um estudo com atletas de competição em processo competitivo (3), através da análise de vídeo, constatou-se que as atividades que ocuparam mais tempo durante uma surfada foram:

  • Remada (54%)

  • Períodos parados no line-up (28%)

  • Deslizar na onda (8%)

  • Remar para a onda (4%)

Estes dados permitem-nos concluir que o movimento de remar constitui-se como um aspetos fundamental para a melhoria da performance assim como prevenção de lesões crónicas do surf. Assim um programa de exercícios físico, que englobe trabalho de compensação muscular nos ombros, flexibilidade, força no core, assim como, a realização de um aquecimento adequado, anterior à prática, diminui a incidência de lesões de uso excessivo.

As distensões da zona lombar e nos músculos cervicais são comuns, provavelmente devido à contração isométrica sustentada dos músculos ao remar. Os iniciantes e os surfistas de “fim-de-semana”, muitas vezes queixam-se de dor muscular no trapézio superior e romboides devido ao uso excessivo, principalmente devido a períodos prolongados de inatividade. A dor no pescoço pode ser exacerbada pela tendência de alguns surfistas para a hiperextensão do pescoço compensando assim a falta de mobilidade ou flexibilidade lombar e torácica. Um bom aquecimento antes do surf (particularmente em águas frias) e uma rotina de alongamentos da zona lombar, isquiotibiais, e flexores do quadril pode ajudar a prevenir este problema comum.

Ativamente envolver a musculatura do core, ao remar cria uma plataforma estável, poupando os músculos da região lombar. Por esta razão, um programa de exercícios fora de água com o objetivo de melhorar a força e controlo dos músculos do core apresenta-se como fundamental para a prevenção deste tipo de lesões.

 

Bons treinos e boas ondas! Aloha!

Vasco Rodrigues

International Master Trainer Surfset® Fitness

Ambassador Surfset® Fitness

 

Bibliografia

  1. Nathanson A, Bird S, Dao L, Tam-Sing K. Competitive Surfing Injuries: a Prospective Study of Surfing-Related Injuries Among Contest Surfers. Am J Sports Med. 2007; 35(1):113-117

  2. Almeida J, Laíns J, Veríssimo M. Contributo para o conhecimento das lesões agudas no surf em Portugal. Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação I Vol 19 I Nº 1 I Ano 17 (2009)

  3. Farley OR, Harris NK, Kilding AE. Physiological demands of competitive surfing. J Strength Cond Res. 2012 Jul;26(7):1887-96

  4. Nathanson A, Haynes P, Galanis D. Surfing injuries. Am J Emerg Med. 2002;20:155–60.

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